Publicado

2026-04-23

Autoconstrucción, género y política habitacional en barrios populares argentinos: el Programa Mi Pieza (2021–2023)

Self-construction, gender and housing policy in Argentine low-income neighborhoods: the Mi Pieza Program (2021–2023)

Autoconstruction, genre et politique du logement dans les quartiers argentins à faibles revenus : le programme Mi Pieza (2021-2023)

Autoconstrução, gênero e política habitacional em bairros de baixa renda na Argentina: o Programa Mi Pieza (2021–2023)

DOI:

https://doi.org/10.15446/bitacora.v36n1.122312

Palabras clave:

Vivienda, Hábitat, Autogestión, Género, Barrios populares (es)
Housing, Habitat, Self-management, Gender, Working-class neighborhoods (en)
Logement, Habitat, Autogestion, Genre, Quartiers ouvriers (fr)
Habitação, Habitat, Autogestão, Gênero, Bairros da classe trabalhadora (pt)

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Autores/as

Este artículo analiza las estrategias habitacionales desplegadas por mujeres beneficiarias del programa Mi Pieza en Argentina (2021–2023) a partir de un estudio cualitativo realizado en las ciudades de Mar del Plata y Santa Fe. Sostenemos que el programa no opera únicamente como una transferencia económica para mejoras habitacionales, sino como un dispositivo que activa y reconfigura desigualdades preexistentes en torno al capital social, las redes comunitarias y la división sexual del trabajo. Si bien el enfoque de género del programa reconoce a las mujeres como gestoras centrales del hábitat, también puede reforzar una lógica de delegación estatal que descarga sobre ellas la responsabilidad de resolver necesidades estructurales. El análisis muestra que el impacto del subsidio estuvo mediado por las trayectorias familiares, la disponibilidad de redes de apoyo y la posibilidad de complementar recursos, revelando tensiones entre empoderamiento discursivo y precariedad estructural.

This article analyzes the housing strategies employed by women beneficiaries of the Mi Pieza program in Argentina (2021–2023) based on a qualitative study conducted in the cities of Mar del Plata and Santa Fe. We argue that the program does not operate solely as a cash transfer for housing improvements, but rather as a mechanism that activates and reconfigures pre-existing inequalities related to social capital, community networks, and the gendered division of labor. While the program's gender focus recognizes women as central managers of housing, it can also reinforce a logic of state delegation that places the responsibility for addressing structural needs on them. The analysis shows that the impact of the subsidy was mediated by family trajectories, the availability of support networks, and the possibility of combining resources, revealing tensions between discursive empowerment and structural precarity.

Este artigo analisa as estratégias habitacionais empregadas por mulheres beneficiárias do programa Mi Pieza na Argentina (2021–2023) com base em um estudo qualitativo realizado nas cidades de Mar del Plata e Santa Fé. Argumentamos que o programa não funciona apenas como uma transferência de renda para melhorias habitacionais, mas sim como um mecanismo que ativa e reconfigura desigualdades preexistentes relacionadas ao capital social, às redes comunitárias e à divisão de trabalho por gênero. Embora o foco de gênero do programa reconheça as mulheres como gestoras centrais da habitação, ele também pode reforçar uma lógica de delegação estatal que lhes atribui a responsabilidade de atender às necessidades estruturais. A análise mostra que o impacto do subsídio foi mediado pelas trajetórias familiares, pela disponibilidade de redes de apoio e pela possibilidade de combinar recursos, revelando tensões entre empoderamento discursivo e precariedade estrutural.

Este artigo analisa as estratégias habitacionais empregadas por mulheres beneficiárias do programa Mi Pieza na Argentina (2021–2023) com base em um estudo qualitativo realizado nas cidades de Mar del Plata e Santa Fé. Argumentamos que o programa não funciona apenas como uma transferência de renda para melhorias habitacionais, mas sim como um mecanismo que ativa e reconfigura desigualdades preexistentes relacionadas ao capital social, às redes comunitárias e à divisão de trabalho por gênero. Embora o foco de gênero do programa reconheça as mulheres como gestoras centrais da habitação, ele também pode reforçar uma lógica de delegação estatal que lhes atribui a responsabilidade de atender às necessidades estruturais. A análise mostra que o impacto do subsídio foi mediado pelas trajetórias familiares, pela disponibilidade de redes de apoio e pela possibilidade de combinar recursos, revelando tensões entre empoderamento discursivo e precariedade estrutural.

08_122312

Fuente: Autoría propia

Autoconstrucción, género y política habitacional en barrios populares argentinos:

el Programa Mi Pieza (2021–2023)

Self-construction, gender and housing policy in Argentine low-income neighborhoods:

the Mi Pieza Program (2021–2023)

Autoconstrução, gênero e política habitacional em bairros de baixa renda na Argentina:

o Programa Mi Pieza (2021–2023)

Autoconstruction, genre et politique du logement dans les quartiers argentins à faibles revenus :

le programme Mi Pieza (2021-2023)

Cristian Sar Moreno

CONICET/Instituto de Investigaciones en Desarrollo Urbano Tecnología y Vivienda IIDUTyV – FAUD, UNMdP, Argentina.

cristiansarmoreno@gmail.com

https://orcid.org/0000-0002-6505-243X

Emilia Carla Mosso

CONICET/Instituto de Investigaciones en Desarrollo Urbano Tecnología y Vivienda IIDUTyV – FAUD, UNMdP, Argentina.

emiliamosso@gmail.com

https://orcid.org/0000-0002-4121-1678

Cómo citar este artículo:

Sar Moreno, C. Y Mosso, E. (2026). Autoconstrucción, género y política habitacional en barrios populares argentinos: el Programa Mi Pieza (2021–2023). Bitácora Urbano Territorial, 36(I): 116-128.

https://doi.org/10.15446/bitacora.v36n1.122312

Recibido: 20/08/2025

Aprobado: 03/02/2026

ISSN electrónico 2027-145X. ISSN impreso 0124-7913. Universidad Nacional de Colombia, Bogotá

(1) 2026: 116-128

Autores

08_122312

Resumo

Resumen

Este artículo analiza las estrategias habitacionales desplegadas por mujeres beneficiarias del programa Mi Pieza en Argentina (2021–2023) a partir de un estudio cualitativo realizado en las ciudades de Mar del Plata y Santa Fe. Sostenemos que el programa no opera únicamente como una transferencia económica para mejoras habitacionales, sino como un dispositivo que activa y reconfigura desigualdades preexistentes en torno al capital social, las redes comunitarias y la división sexual del trabajo. Si bien el enfoque de género del programa reconoce a las mujeres como gestoras centrales del hábitat, también puede reforzar una lógica de delegación estatal que descarga sobre ellas la responsabilidad de resolver necesidades estructurales. El análisis muestra que el impacto del subsidio estuvo mediado por las trayectorias familiares, la disponibilidad de redes de apoyo y la posibilidad de complementar recursos, revelando tensiones entre empoderamiento discursivo y precariedad estructural.

Palabras claves: vivienda, hábitat, autogestión, género, barrios populares

Abstract

This article analyzes the housing strategies employed by women beneficiaries of the Mi Pieza program in Argentina (2021–2023) based on a qualitative study conducted in the cities of Mar del Plata and Santa Fe. We argue that the program does not operate solely as a cash transfer for housing improvements, but rather as a mechanism that activates and reconfigures pre-existing inequalities related to social capital, community networks, and the gendered division of labor. While the program’s gender focus recognizes women as central managers of housing, it can also reinforce a logic of state delegation that places the responsibility for addressing structural needs on them. The analysis shows that the impact of the subsidy was mediated by family trajectories, the availability of support networks, and the possibility of combining resources, revealing tensions between discursive empowerment and structural precarity.

Keywords: housing, habitat, self-management, gender, working-class neighborhoods

Resumo

Este artigo analisa as estratégias habitacionais empregadas por mulheres beneficiárias do programa Mi Pieza na Argentina (2021–2023) com base em um estudo qualitativo realizado nas cidades de Mar del Plata e Santa Fé. Argumentamos que o programa não funciona apenas como uma transferência de renda para melhorias habitacionais, mas sim como um mecanismo que ativa e reconfigura desigualdades preexistentes relacionadas ao capital social, às redes comunitárias e à divisão de trabalho por gênero. Embora o foco de gênero do programa reconheça as mulheres como gestoras centrais da habitação, ele também pode reforçar uma lógica de delegação estatal que lhes atribui a responsabilidade de atender às necessidades estruturais. A análise mostra que o impacto do subsídio foi mediado pelas trajetórias familiares, pela disponibilidade de redes de apoio e pela possibilidade de combinar recursos, revelando tensões entre empoderamento discursivo e precariedade estrutural.

Palavras-chave: habitação, habitat, autogestão, gênero, bairros da classe trabalhadora

Résumé

Cet article analyse les stratégies de logement mises en œuvre par les femmes bénéficiaires du programme Mi Pieza en Argentine (2021-2023) à partir d’une étude qualitative menée dans les villes de Mar del Plata et de Santa Fe. Nous montrons que le programme ne se limite pas à un simple transfert monétaire pour l’amélioration du logement, mais constitue plutôt un mécanisme qui active et reconfigure des inégalités préexistantes liées au capital social, aux réseaux communautaires et à la division genrée du travail. Si l’approche genrée du programme reconnaît aux femmes un rôle central dans la gestion du logement, elle peut aussi renforcer une logique de délégation de pouvoir par l’État qui leur fait porter la responsabilité de répondre aux besoins structurels. L’analyse révèle que l’impact de la subvention a été modulé par les trajectoires familiales, l’existence de réseaux de soutien et la possibilité de mutualiser les ressources, mettant en lumière des tensions entre émancipation intellectuelle et précarité structurelle.

Mots-clés : logement, habitat, autogestion, genre, quartiers ouvriers

Introducción[1]

“Estuvo bueno [...] porque como era un beneficio de nosotras las mujeres [...] yo decidía dónde iba la puerta, yo decidía qué comprar, qué es lo que hacía, ¿me entendés?”, relató una de las entrevistadas durante el trabajo de campo en un barrio popular de la Argentina. Hace casi dos años, ella y su compañero iniciaron la ampliación de su casa con el Programa Mi Pieza, con el objetivo de construir una habitación para sus tres hijos y mejorar las condiciones del baño. Con el subsidio adquirieron chapas, parte de los ladrillos y dos aberturas, entre ellas una puerta que aún permanece guardada bajo unas chapas en su patio, esperando ser utilizada en la próxima etapa de la obra. Sin embargo, el proyecto quedó inconcluso por varios motivos: por un lado, las dificultades propias de la autoconstrucción; por otro, la insuficiencia de fondos para continuar la compra de materiales y pagar la mano de obra.

Su testimonio, junto con el de otras mujeres recabados en el marco de esta investigación, manifiesta ciertas contradicciones en el marco de la política pública: el subsidio de Mi Pieza, en tanto habilita espacios de decisión y autonomía en torno a la vivienda, simultáneamente expone dificultades históricas vinculadas a la autoconstrucción y a la insuficiencia de recursos para completar las obras proyectadas. Desde esta perspectiva, en este artículo proponemos analizar las diversas estrategias habitacionales desplegadas por mujeres beneficiarias del programa en Argentina, indagando en las modalidades de uso, apropiación y limitación del subsidio en relación con las prácticas de autoconstrucción relatadas por las beneficiarias. La investigación busca aportar a una comprensión crítica de las políticas habitacionales, sustentadas en el marco teórico-epistemológico del derecho a la ciudad (Lefebvre, 1978; Núñez, 2012) y en el estudio de las problemáticas habitacionales que históricamente atraviesan a las familias de barrios populares en América Latina, signadas por profundas desigualdades estructurales (Topalov, 1979; Pradilla, 1987; Yujnovsky, 1984; Kovarick, 2000; Rolnik, 2017).

El Programa fue implementado a través de la Secretaría de Integración Socio-Urbana (SISU) de la Argentina, se orientó a mujeres mayores de 18 años residentes en barrios populares relevados por el Registro Nacional de Barrios Populares (ReNaBaP)[2] que cuenten con Certificado Familiar de Vivienda[3], con el objetivo de mejorar, refaccionar o ampliar sus viviendas mediante prácticas de autoconstrucción y ayuda mutua. Más allá de su carácter de transferencia económica, el programa operó como un catalizador de dinámicas sociales y de género, reconociendo a las mujeres como agentes clave en la gestión del hábitat y en la economía doméstica (Balerdi, 2023; Isla et al., 2024; Mosso, 2025).

El programa otorgó subsidios escalonados destinados a la compra de materiales y al pago de mano de obra, condicionados a la acreditación de avances mediante registros digitales, lo que la convirtió en una política de vivienda planteada desde el vínculo directo y autonomizado de las mujeres con el Estado nacional, (Balerdi, 2023). Por la flexibilidad de sus alcances, el Programa cobró relevancia dentro de los itinerarios de autoconstrucción habitacional (Isla et al; 2024). Sin embargo, en tanto las estrategias habitacionales de autoconstrucción implementadas por las mujeres y sus familias constituyeron un modo de organización social basado en saberes y redes compartidas; representaron, asimismo, una respuesta al contexto social en el cual se ven inmersas, más que una elección por parte de las familias (Sar Moreno y Mosso, 2025). Por estos motivos, en este trabajo sostenemos que el programa no puede comprenderse únicamente como una transferencia económica orientada a la mejora habitacional, sino como un dispositivo que activa y reconfigura desigualdades preexistentes en torno al capital social, las redes comunitarias y la división sexual del trabajo. Si bien el subsidio habilita espacios de decisión y reconocimiento para las mujeres, su alcance efectivo estuvo mediado por trayectorias familiares, disponibilidad de redes y capacidad de complementar recursos, revelando una tensión entre empoderamiento discursivo y precariedad estructural.

El trabajo se apoya en una metodología mixta con orientación cualitativa y trabajo de campo etnográfico en barrios populares de Mar del Plata y Santa Fe, complementado con fuentes secundarias del ReNaBaP. Para esto, el artículo se organiza en torno a tres ejes de análisis —capital social y efectividad del subsidio, género y redistribución de poder y autoconstrucción y reproducción de desigualdades— a partir de los cuales se formulan tres interrogantes centrales:¿de qué manera inciden el capital social y las redes familiares y comunitarias en la efectividad del subsidio?, ¿cómo influye el enfoque de género del programa en la redistribución de poder dentro del hogar y la comunidad? y ¿en qué medida la autoconstrucción promovida por el programa contribuye a la autonomía de las mujeres o reproduce desigualdades estructurales en el hábitat popular?

Estrategias Habitacionales, Autoconstrucción y Debates

En el marco de los procesos de urbanización popular en Argentina, particularmente en los barrios populares, las estrategias habitacionales adoptadas por las mujeres beneficiarias del Programa y sus familias representan un campo fértil para comprender los modos en que los sectores populares producen y reproducen su hábitat. Lejos de una perspectiva centrada exclusivamente en las carencias, se propone aquí una lectura que pone en valor los recursos movilizados, las capacidades desplegadas y las formas de organización doméstica y comunitaria que sostienen y configuran dichas estrategias. En este sentido, y desde una mirada relacional, la vivienda no puede entenderse sólo como objeto material o producto final, sino como resultado de procesos sociales, económicos y políticos que involucran a múltiples actores, con especial protagonismo de las unidades familiares. Tal como proponen Gutiérrez (2004) y Núñez (2012), las estrategias habitacionales deben leerse como parte de un entramado más amplio de reproducción social, donde las decisiones familiares en torno al acceso, la mejora o la ampliación del hábitat no se explican únicamente por condiciones estructurales, sino también por percepciones, expectativas, trayectorias de vida y vínculos sociales.

El concepto de estrategia señalado retoma la perspectiva de Bourdieu (1986) para quien los agentes sociales, aun en condiciones de desigualdad, disponen de márgenes de maniobra a partir de la acumulación y conversión de distintos tipos de capital. En los sectores populares, el capital económico suele ser limitado, pero se compensa o se reorganiza a través del capital social (redes familiares, vecinales, comunitarias) y cultural (saberes técnicos, conocimientos prácticos, experiencia acumulada en la actividad de la construcción).

En este contexto, la autoconstrucción aparece como una respuesta concreta a la imposibilidad de acceder a una vivienda formal a través del mercado o el salario. Por ello, puede entenderse como una de las expresiones posibles dentro de las “necesidades disociadas” Topalov (1979, p. 35) de las relaciones salariales inmediatas, en este caso, como una forma de resolución habitacional que emerge cuando el ingreso no permite adquirir una vivienda en el mercado o pagar mano de obra externa para que la construya.

Entonces, la autoconstrucción no es sólo una estrategia económica, sino una forma de organización social que remite a saberes compartidos, vínculos de cooperación, intercambios no monetarios y formas alternativas de producir y habitar la ciudad. No obstante, nuestra propuesta busca apartarse de romantizar el par pobreza-autoconstrucción ya que, si bien no negamos la capacidad de autogestión de los sectores populares que promueve redes de ayuda y fortalece saberes propios, consideramos que, en contextos de precariedad estructural, la autoconstrucción es más una respuesta forzada que una elección genuina, un síntoma de exclusión sistemática y no una vía emancipadora.

En América Latina, la autoconstrucción ha sido históricamente una estrategia de resolución habitacional promovida por sectores populares ante la desigualdad estructural. Sin embargo, su incorporación en el discurso y las políticas públicas ha estado marcada por una profunda ambivalencia. Por ello, nos resulta clave retomar las advertencias de Pradilla Cobos (1982, 1995), quien en su crítica a los planteos de Turner (1963) y Hernando de Soto (1987) denuncia cómo los enfoques que exaltan la autoconstrucción como una ‘solución popular’ encubren, en realidad, una retirada progresiva del Estado respecto de su obligación de garantizar el derecho a la vivienda.

Estos enfoques, ampliamente difundidos desde la década de 1960, impulsaron una concepción positiva de la autoconstrucción y la autoayuda asistida, centrada en la idea de que los sectores populares podían y debían ser protagonistas del proceso habitacional a través del ‘control del usuario’. Respaldadas por organismos multilaterales como el Banco Mundial y el BID, estas ideas fueron institucionalizadas en políticas públicas que promovieron la legalización de la propiedad, la inserción de los autoconstructores como nuevos contribuyentes del impuesto predial y como sujetos de crédito hipotecario, y una desresponsabilización progresiva del Estado. Esta idealización de las capacidades populares omite las desigualdades estructurales que enfrentan los sectores empobrecidos, y termina trasladando a los propios afectados la carga de producir su propio hábitat, sin cuestionar las condiciones socioeconómicas que los marginan. Así, presentar la autoconstrucción como una solución ‘eficiente y adaptada’ a las necesidades populares en contextos de creciente pauperización resulta no solo una mistificación técnica, sino también una operación ideológica regresiva. En lugar de garantizar derechos, el Estado asume un rol subsidiario, centrado en facilitar ‘ayudas’ dispersas o subsidios individuales, sin modificar los patrones estructurales de desigualdad urbana ni atender integralmente las necesidades habitacionales.

El trabajo de Kozak (2016) sobre Turner permite entender cómo estas ideas se consolidaron en un contexto de Guerra Fría, donde Estados Unidos buscaba contrarrestar la influencia del socialismo en América Latina mediante políticas habitacionales[4] que promovieron la propiedad privada individual. Hace más de un siglo atrás Engels (1873) advertía que el hecho de que los trabajadores asuman los costos de las viviendas, con su propio esfuerzo y con ayuda familiar, desvinculadas de la relación salarial no hace más que beneficiar al capital. En esta línea crítica, Connolly (2013) advierte que la autoconstrucción implica altos costos sociales para los hogares, al desarrollarse en contextos de escasez de recursos, acceso limitado al crédito y ausencia de asistencia técnica. Estas condiciones obligan a las familias a construir de manera progresiva, prolongando la precariedad habitacional, extendiendo la jornada de trabajo doméstico y trasladando al ámbito familiar responsabilidades que no son asumidas por el mercado ni por el Estado. Lejos de resolver estructuralmente el déficit habitacional, la autoconstrucción administra sus efectos en el tiempo y reproduce desigualdades en el acceso al hábitat. Esta crítica se vincula con una reflexión más amplia que Pradilla (1987) desarrolla en sus análisis sobre los patrones de vivienda social, distinguiendo entre dos formas principales:

Por una parte, la vivienda adecuada, que reúne las siguientes condiciones: -Tiene las condiciones mínimas de habitabilidad; solidez estructural; área adecuada a las necesidades de la familia media; servicios de agua, drenaje y energía eléctrica; asoleación y ventilación adecuada; sus ocupantes pueden acceder a las áreas libres y recreativas y a los servicios de educación y salud correspondientes.- Su producción es posible dado el nivel del desarrollo de las fuerzas productivas en la construcción, alcanzado por la sociedad.- Ha sido reconocida como ´patrón´ de vivienda aceptable tanto por el conjunto de la sociedad, como por sus instituciones y, particularmente el Estado, quien así lo consagra en el discurso oficial de sus políticas.- La clase obrera y demás trabajadores lo han asumido como ´patrón´ de sus reivindicaciones y aspiraciones ( Pradilla, 1987, p. 87).

Las características de la vivienda adecuada varían según el país, la región y el momento histórico. No obstante, la vivienda adecuada ha sido adoptada como el patrón o modelo en los programas estatales de vivienda de ‘interés social’, dirigidos a sectores empobrecidos y trabajadores (Pradilla, 1987). En esta línea, la vivienda adecuada es diferente a la vivienda socialmente necesaria, que refiere a aquella vivienda usada por la mayoría de los trabajadores y demás asalariados en condiciones históricas y reales y que, en la mayoría de los países latinoamericanos, se ubica como la vivienda autoconstruida. Esta, por lo general, se presenta como “estructuralmente deficiente, con un área construida inferior a la necesaria, y, por lo tanto, hacinada, mal asoleada y ventilada, sin servicios completos, ubicadas en zonas urbanas carentes de servicios de educación, salud y recreación y con déficits de transporte público” (Pradilla, 1987, p. 87).

Desde esta perspectiva, las viviendas sociales promovidas por los Estados en sus políticas públicas resultan, en reiterados casos, inadecuadas: hacinadas, con problemáticas de habitabilidad, infraestructuras, servicios y desconexión barrial, y desvinculadas de su entorno, entre otras cuestiones. En línea con Álvarez Legizamón (2005), las viviendas mínimas, llamadas también soluciones habitacionales, y sustentadas desde discursos minimistas sobre las necesidades básicas y los umbrales de ciudadanía, no necesariamente significan una mejora sustancial para la calidad de vida de la población destinataria. Por el contrario, su enfoque cuantitativo prevalece sobre las necesidades reales y complejas de las poblaciones. Asimismo, las viviendas masivas de los ‘con techo’ (Rodríguez y Sugranyes, 2004) han terminado creando nuevas problemáticas urbanas y sociales; entre ellas segregación, fragmentación, inseguridad y hacinamiento.

En este marco, resulta necesario revisar críticamente las políticas que, bajo el argumento de empoderar a los sectores populares o atender sus demandas de mejora habitacional, en realidad refuerzan su precariedad estructural. Es aquí donde adquiere relevancia el enfoque de Yujnovsky (1984), quien propone pensar la vivienda no como un objeto construido aislado, sino como parte de un conjunto integral de ‘servicios habitacionales’. Desde esta perspectiva, el acceso a una vivienda no puede reducirse a la posesión de una estructura física, sino que debe contemplar las funciones que hacen posible la reproducción de la vida cotidiana: infraestructura, servicios públicos, seguridad en la tenencia, conectividad, integración urbana y condiciones de habitabilidad sostenidas en el tiempo.

Si bien estos debates han marcado de manera decisiva la comprensión crítica de la autoconstrucción en América Latina, en los últimos años han surgido aproximaciones que buscan actualizar esta discusión. Aliano (2024) propone analizar estas prácticas no solo como una forma de acceso a la vivienda en condiciones de informalidad, sino como un proceso progresivo y situado en el tiempo. La vivienda autoconstruida se configura así como resultado de transformaciones sucesivas que acompañan las trayectorias familiares, combinando consolidación material, reorganización de espacios y adaptación a nuevas necesidades. Asimismo, el autor señala que, en muchos casos, la autoconstrucción se vincula con dinámicas de economía popular, donde la vivienda puede convertirse en soporte de actividades productivas o comerciales. De este modo, la casa no es únicamente un espacio doméstico, sino también un recurso estratégico para la reproducción social. Esta perspectiva permite matizar tanto las lecturas que celebran la autoconstrucción como práctica emancipadora como aquellas que la reducen exclusivamente a expresión de precariedad, ofreciendo herramientas para pensar las ambivalencias presentes en programas como Mi Pieza.

Recuperar estas miradas resulta relevante para analizar el Programa, en tanto permite situar las mejoras habitacionales no solo como intervenciones técnicas sobre la vivienda, sino como parte de procesos más amplios de reorganización doméstica, económica y social, atravesados por desigualdades persistentes que evidencian sus limitaciones. Se otorgaron subsidios individuales para la mejora de viviendas autoconstruidas pero sin garantizar que dichas mejoras abonen a una política habitacional integral. En lugar de abordar la vivienda como un derecho colectivo y multidimensional, Mi Pieza refuerza la lógica de la responsabilización individual, confiando en las capacidades domésticas para administrar el subsidio, definir prioridades y resolver problemas técnicos o constructivos. Esto, en contextos de vulnerabilidad económica, ausencia de redes sociales de apoyo y fragmentación institucional, puede incluso agudizar las desigualdades y generar frustración o endeudamiento.

Desde esta perspectiva, la política habitacional debería garantizar integralmente esos servicios, y no limitarse a habilitar mejoras materiales aisladas. Dicho programa puede ser interpretado como una intervención fragmentaria que, si bien permite a muchas mujeres realizar mejoras significativas en sus viviendas, lo hace sin garantizar el acceso a suelo regularizado, sin asegurar conexión formal a redes de agua, cloaca o electricidad y sin prever mecanismos de apoyo técnico adecuados. En ausencia de políticas integrales, este programa, puede contribuir a delegar los costos de reproducción de la vida en los barrios populares y, si bien puede argumentarse que se trata de un subsidio, no hay que dejar de señalar que las beneficiarias no eligen autoconstruir porque lo prefieran, sino porque el escaso monto[5] otorgado les restringe otras alternativas. Dentro de la ciudad neoliberal la producción del hábitat popular puede pensarse como un espacio diferencial (Lefebvre, 2013) con vestigios de resistencia, pero también como una evidencia del abandono estatal.

A partir de estas premisas, el análisis del programa Mi Pieza adquiere una densidad particular. Al ofrecer subsidios no reembolsables a mujeres residentes en barrios populares registrados en el ReNaBaP, se configura como una política de carácter directo y personalizado, que prescinde de la intermediación de empresas constructoras y del acceso al crédito bancario. Esta modalidad habilita una forma de intervención que reconoce la centralidad de las mujeres en la organización del hogar y en la gestión del espacio doméstico, articulando dimensiones de género, autoconstrucción y territorialidad. Contradictoriamente, esta modalidad que puede considerarse positiva en términos de autonomía y reconocimiento, también evidencia ciertos límites. Al respecto, el programa no incorporó las capacidades técnicas de cooperativas de trabajo surgidas en los barrios, lo que hubiese fortalecido su dimensión comunitaria y generado empleo local. Además, esto implicó el acceso a préstamos no regulados, con condiciones desventajosas, lo cual reproduce una lógica de vulnerabilidad financiera que el programa no logró revertir, y que contrasta con su objetivo de mejorar las condiciones de vida de las destinatarias.

No desconocemos que en valiosos estudios recientes (Mosso, 2025; Isla et al. 2024; Gonza et al. 2023) se describen las virtudes que surgieron cuando las destinatarias asumieron un rol activo en la planificación. Pero estas prácticas no son nuevas, remiten a una larga historia de producción social del hábitat en los barrios populares. En todo caso, lo distintivo de Mi Pieza es que reconoció institucionalmente esta capacidad, y la apoya mediante una transferencia económica concreta.

Metodología[6]

La investigación se apoya en una metodología mixta con orientación etnográfica, combinando técnicas cualitativas —como historias de vida, entrevistas en profundidad y análisis del discurso— con datos cuantitativos provenientes de la SISU y, especialmente, del ReNaBaP. El enfoque adoptado es interpretativo y relacional, orientado a comprender las prácticas y significados atribuidos por las entrevistadas a sus experiencias habitacionales, más que a medir resultados en términos estrictamente cuantitativos. Las entrevistas fueron iniciadas a finales del año 2023, alcanzando hasta el momento 20 casos, en el marco de un trabajo de campo en curso. En este contexto, se llevaron a cabo entrevistas en profundidad y conversaciones informales con mujeres beneficiarias del Programa, residentes en barrios populares de las ciudades de Mar del Plata y Santa Fe. Las entrevistas se realizaron mayormente en las viviendas de las mujeres y, en algunos casos, en espacios comunitarios como merenderos barriales. Cuando hubo consentimiento, se registraron oralmente; de lo contrario, se tomaron notas en cuadernos de campo. Las conversaciones, previamente pautadas en su mayoría, tuvieron una duración aproximada de 45 a 90 minutos y se desarrollaron sin interrupciones.

Se tomó como unidad de análisis la familia, atendiendo al carácter feminizado de las economías populares (Cavallero y Gago, 2019). Las mujeres fueron consideradas en su doble rol: como sostén económico del hogar y como responsables de las tareas domésticas y comunitarias vinculadas a la reproducción de la vida (cuidados, provisión de alimentos, seguridad, limpieza y organización barrial). Se buscó indagar en cómo las mujeres y sus familias utilizaron los fondos recibidos, en cuáles fueron los alcances de las mejoras realizadas en relación a sus proyectos iniciales, sus ‘deseos de progreso’ (Pacífico, 2022), y en las situaciones en que las beneficiarias han debido complementar el subsidio con ahorros personales, donaciones y préstamos, entre otras. Se entrevistó a mujeres mayores de 18 años, residentes en barrios populares de Santa Fe y Mar del Plata incluidos en el ReNaBaP, beneficiarias del programa Mi Pieza entre 2021 y 2023. Se priorizó a quienes pertenecían a la primera o segunda generación del hogar y cumplían un rol central en el sostén económico, ya sea como jefas de hogar o como integrantes activas. Se buscó abarcar diversidad de situaciones, incluyendo tanto hogares completos como incompletos.

Las entrevistas se realizaron a partir de un guion temático flexible que permitió adaptar las preguntas y profundizar en aspectos relevantes para la investigación. Esto facilitó profundizar en aspectos emergentes y recuperar testimonios espontáneos sobre las experiencias habitacionales. En cuanto a los recortes geográficos situados, las ciudades de Mar del Plata y Santa Fe constituyen dos ciudades medias del país con significativas problemáticas en términos de organización socioespacial, acceso a servicios y desigualdades territoriales. En ambas ciudades, a pesar de sus diferencias geográficas y funcionales se dificultan los derechos sociales fundamentales, especialmente en lo referido al acceso y apropiación equitativa de la ciudad por parte de los sectores empobrecidos que habitan en barrios populares (ver Imagen 1 y 2). En la ciudad de Santa Fe, se estima que hay 17,359 familias residentes de 69 barrios populares relevados por ReNaBaP, contabilizando 4,122 beneficiarias de Mi Pieza entre los 8 sorteos efectuados entre los años 2021-2023. Por su parte, en la ciudad de Mar del Plata existen 71 barrios populares donde viven aproximadamente 13,450 familias, registrando 2244 beneficiarias de Mi Pieza. La localización de los barrios populares en ambas ciudades puede verse en las Imágenes 1 y 2, así como una síntesis de los barrios más representativos puede verse en la Imagen 3.

Sobre estas consideraciones, el análisis empírico se organizó en torno a cuatro dimensiones que permitieron operacionalizar los tres ejes teóricos planteados en la introducción. Estas dimensiones incluyeron: (a) redes familiares y comunitarias —vinculadas a la disponibilidad de saberes constructivos, mano de obra compartida y apoyo logístico—; (b) estrategias frente a la insuficiencia del subsidio —reducción de escala, modificación de proyectos o endeudamiento familiar—; (c) articulación con otros programas sociales —uso complementario de asignaciones estatales para sostener las obras—, y (d) estrategias habitacionales de consumo colectivo —estrategias vinculadas a la adquisición de materiales y precios de modo colectivo, buscando abaratar los costos de modo comunitario—.

Testimonios de Mujeres en la Producción y Gestión del Hábitat

Los testimonios recogidos en ambas ciudades evidencian una diversidad de decisiones: algunas mujeres utilizaron el subsidio para realizar mejoras puntuales en su vivienda existente; otras, para ampliar espacios en función del crecimiento familiar, y otras, incluso, para iniciar una vivienda nueva.

“Llegué a hacer la primer parte, que te dan la mitad, que eran 300 mil pesos. Compré granza, arena, me acuerdo, un camión de granza, un camión de arena, hierros, que era para la ampliación”. Entrevista personal, Mar del Plata, 2023.

“[...] bueno, después lo que pudimos hacer fue todo tapial. Hice un garaje. Teché. Eh, esto se amplió. Todo, digamos, se hizo más alto y todo se amplió, se pusieron chapas, se pusieron cerámicas y se puso puertas nuevas, porque no tenía puerta eso”. Entrevista personal, Santa Fe, 2024.

Estas decisiones se apoyaron en conversaciones familiares, cálculos económicos y experiencias previas. En algunos casos las entrevistadas contaron con la colaboración de parejas, hermanos o hijos y vecinos en las tareas de construcción, lo que permitió reducir costos y aumentar el alcance de las obras. Así, la presencia de redes familiares y comunitarias resultó un factor decisivo en la forma en que se implementó el programa Mi Pieza en los distintos territorios. Allí donde existieron lazos sólidos de ayuda mutua, fue posible organizar la obra de manera más eficaz, optimizar los recursos recibidos y resolver con mayor autonomía los desafíos técnicos y logísticos que implicaba la mejora habitacional.

“Salimos sorteadas como seis meses o cinco meses después de la inscripción, todos los meses nos fijamos entre las vecinas y nos enviábamos la planilla de sorteo”. Entrevista personal, Mar del Plata, 2023.

“El techo fuimos un poquito más. Esas chapas nos dieron, que eran chapas conformadas. Le dieron a mi viejo chapas conformadas, ¿viste? [...] Y ahí techamos el baño ese y esas piezas también”. Entrevista personal, Santa Fe, 2024.

“Mi viejo es maestro mayor de obras [...] Cuando empezamos a hacer todo, él empezó a dibujar. Empezó acá, acá y así. Así que, por lo menos, nos salió”. Entrevista personal, Mar del Plata, 2024.

En otros casos, donde esa red de apoyo fue deficitaria o inexistente, surgieron otras estrategias, como la reducción de la escala de las obras planificadas, la disminución de la cantidad de materiales o el endeudamiento familiar, muchas veces a través de créditos personales, con impactos diferenciales en la economía doméstica. El cambio de gobierno en diciembre del 2023[7] dejó inactivo el programa y para algunas de las entrevistadas significó que sólo recibieran una parte del subsidio. Asimismo, se detectaron testimonios de mujeres que utilizaron fondos de otras asignaciones sociales gubernamentales (Universal por hijo, Potenciar Trabajo, Pensión por Discapacidad, entre otras) para avanzar en las mejoras habitacionales. Otras estrategias refieren a la búsqueda de precios en conjunto en diferentes corralones de materiales, aun así en gran parte de los casos se dejaron las obras inconclusas.

“Cuando llegó la parte de recibir el segundo pago, o sea, la otra mitad enviando las fotos y todo el relevamiento de lo que ya había hecho, el detallado digamos había asumido Milei entonces me informaron que ya el programa no existía más fue cuando hizo todos esos cambios donde dio de baja varios programas, entre ellos Mi Pieza, y ya no podía cobrar la segunda parte”. Entrevista personal, Mar del Plata, 2023.

“No, no alcanzó. No, porque tengo el techo nuevo. Con los ahorros míos y lo que me dieron, lo compramos todo (...) A donde me iba más barato, ahí íbamos. Corríamos”. Entrevista personal, Santa Fe, 2024.

“Era esto, nada más. Después, bueno, cuando vos cobras los retenidos de asignación y demás que vos juntas, que agarras todo eso al fin de año, hice el baño y después la otra pieza”. Entrevista personal, Santa Fe, 2024.

En todos los casos, las mujeres, que asumen el rol de jefas de hogar o responsables del cuidado, aparecen como figuras centrales en la gestión del hábitat, de una construcción progresiva que responde a distintas necesidades afectivas, simbólicas, funcionales, entre otras, más allá de simples receptoras de una política pública orientada hacia mujeres y disidencias. En este punto, vale destacar que, si bien el programa constituyó un avance en cuanto a ciertos reclamos sobre la cuestión de género y reconoció institucionalmente su capacidad de planificación, gestión y ejecución de mejoras habitacionales, no basta con reconocer su existencia, sino que “deberían atenderse aspectos diferenciales en términos de empoderamiento y autonomías económicas, políticas y físicas, principalmente en caso de vecinas de barrios populares” (Isla et al., 2024, p. 20). En otras palabras, este enfoque de género requiere ser profundizado en su dimensión transformadora: se trata no sólo de reconocer el rol que las mujeres ya ocupan, sino de promover intervenciones estatales integrales que incidan en la redistribución efectiva del poder dentro del hogar, la comunidad y el territorio. Ello implica políticas que acompañen, sostengan y amplíen la capacidad organizativa de las mujeres, sin romantizar su sobrecarga ni naturalizar su papel como responsables únicas de la reproducción social.

“Sí, porque a veces había mujeres que, bueno, que eran solas [...] Mujeres que les gusta estar solas, cuidan a sus hijos solas, ya sea porque vienen de una violencia o de cualquier cosa, y les gusta estar solas. Y eso era un gran... ayuda…”. Entrevista personal, Santa Fe, 2024.

“No, lo mío es temporal nomás. Tuve que vender por problemas con el papá de los chicos. ¿Cómo que ser? Nos separamos y hubo un par de conflictos”. Entrevista personal, Santa Fe, 2024.

“Ay, estuvo por un lado bueno por el sentido, porque como era un beneficio de nosotras las mujeres, yo decidía dónde iba la puerta, qué comprar, qué es lo que hacía”. Entrevista personal, Santa Fe, 2024.

Estas estrategias habitacionales se esgrimen frente a condiciones estructurales de exclusión donde el capital social de las familias operó como un recurso importante para la implementación de un subsidio escaso, ya sea para obtener información, resolver dificultades técnicas y económicas o como sostén en el proceso de construcción. Al respecto, el pago por mano de obra fue más notorio en aquellos casos en los que no se contaba con ayuda ad honorem por parte de familiares y amigos.

“Y sí, y ahora sí, se puso en esto también, en esta pieza junto con unos amigos que, bueno, les tuvimos que pagar, sí, porque ellos también necesitaban el acceso al dinero ese, así que…”. Entrevista personal, Santa Fe, 2024.

Estas decisiones fueron mediadas por las condiciones sociales, económicas y vinculares preexistentes, dando cuenta de que el impacto efectivo del programa no puede evaluarse en términos lineales, sino que estuvo profundamente atravesado por las trayectorias y recursos previos de cada hogar. En otras palabras, este conjunto de relatos nos permite afirmar que el subsidio no operó como un recurso homogéneo ni produjo efectos lineales. Por el contrario, su implementación estuvo profundamente condicionada por la distribución desigual de capital social y técnico entre los hogares. En términos relacionales, el mismo monto adquirió significados y alcances distintos según la densidad de redes disponibles, la experiencia constructiva acumulada y la capacidad de movilizar apoyos familiares o comunitarios. Así, el programa no sólo intervino sobre la vivienda material, sino que visibilizó y, en ciertos casos, amplificó desigualdades preexistentes entre las propias beneficiarias.

Conclusiones

El análisis de los testimonios muestra que el programa Mi Pieza no operó únicamente como una transferencia económica, sino como un recurso que interactuó con estructuras sociales preexistentes y desigualdades de género. Las mujeres entrevistadas asumieron un rol central en la planificación, gestión y ejecución de las mejoras habitacionales.

Las redes familiares y comunitarias resultaron decisivas. Allí donde existieron lazos de ayuda mutua, el subsidio permitió avanzar más rápidamente y resolver obstáculos técnicos. En su ausencia, las beneficiarias debieron reducir la escala de sus proyectos o recurrir al endeudamiento. De este modo, el capital social funcionó como un recurso tan relevante como el subsidio.

El cambio de contexto político en diciembre de 2023 y la interrupción del programa en pleno proceso de ejecución puso en evidencia otra limitación estructural: la vulnerabilidad de las políticas habitacionales frente a los vaivenes de la gestión gubernamental. Para muchas familias, esto significó quedar con obras inconclusas, frustrando expectativas y obligando a replantear estrategias. Este escenario refuerza la necesidad de políticas habitacionales con continuidad y previsibilidad.

El enfoque de género del programa reconoció la capacidad de las mujeres para gestionar mejoras habitacionales. Sin embargo, este reconocimiento puede transformarse en una delegación de responsabilidades sin soporte suficiente, reforzando la sobrecarga que históricamente han asumido en la reproducción social.

Un aspecto revelador de los testimonios es la estrategia de articulación de recursos que se desarrollaron ante la insuficiencia o interrupción de los fondos, donde destinaron recursos provenientes de otras políticas sociales (Asignación Universal por Hijo, Potenciar Trabajo, Pensión por Discapacidad, entre otras) para terminar las obras. Esto implica reasignar fondos destinados a otros fines básicos, lo que puede generar tensiones y privaciones en otras dimensiones de la vida cotidiana.

La autoconstrucción aparece como una vía frecuente para materializar mejoras habitacionales en contextos de bajos ingresos. Sin embargo, sus limitaciones estructurales resultan evidentes. La falta de asistencia técnica profesional aumenta el riesgo de deficiencias constructivas que pueden comprometer la durabilidad, la seguridad y la eficiencia de las obras. Asimismo, la dependencia de la disponibilidad de tiempo, fuerza de trabajo y conocimientos constructivos dentro del núcleo familiar o comunitario introduce desigualdades significativas entre hogares. En este sentido, la autoconstrucción puede convertirse en un mecanismo de reproducción de desigualdades, ya que las familias con menor capital social o menor capacidad física y técnica quedan en desventaja, incluso cuando acceden al mismo monto de subsidio. Como advierten los debates clásicos y contemporáneos sobre autoconstrucción en América Latina, estas prácticas condensan tanto capacidades organizativas como restricciones estructurales. El caso analizado muestra que, sin políticas integrales que acompañen técnica y financieramente estos procesos, la autoconstrucción promovida mediante subsidios individuales puede ampliar márgenes de decisión para las mujeres, pero difícilmente altere las condiciones estructurales que producen desigualdad urbana.

Referencias

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  1. [1] Agradecemos los valiosos comentarios y sugerencias realizados por la/os revisores anónimos en la instancia de evaluación de nuestro artículo.

  2. [2] Constituye un instrumento creado en 2017 por el Estado argentino con el objetivo de identificar y relevar barrios populares en todo el país; que permite reconocer formalmente asentamientos informales y constituye una base para el diseño de políticas de integración socio-urbana, regularización dominial y acceso a servicios básicos. Incluye información sobre infraestructura, condiciones habitacionales y situación jurídica del suelo.

  3. [3] Se trata de es un documento emitido por la Administración Nacional de la Seguridad Social (ANSES) para hogares residentes en barrios populares inscriptos en el ReNaBaP. Este certificado acredita el domicilio ante organismos públicos y empresas de servicios, facilitando trámites administrativos, acceso a programas sociales y gestiones vinculadas a la regularización dominial y la provisión de servicios básicos.

  4. [4] El caso del PREVI en Lima, y su posterior fetichización arquitectónica, muestran también los límites de estas propuestas: proyectos experimentales, incompletos, y desconectados de las necesidades reales de los sectores populares.

  5. [5] Vale destacar como referencia que, de acuerdo con un cómputo y presupuesto señalado en (Isla et al., 2024) para el 01/04/2022, el costo de materiales y mano de obra para realizar una habitación de 9 m2 en Mar del Plata era de $599.217,99.

  6. [6] La investigación se encuadra en las actividades del Grupo de Investigación en Socio-Antropología Urbana (GISAU) (FAUD, UNMdP) y del Colectivo Poder Habitar (UNMdP), ambos dirigidos por la Dra. Ana Núñez, en el cual nos desempeñamos como investigadores desde hace una década. Asimismo, los aportes en curso forman parte del Proyecto de Investigación y Extensión “Reurbanización de barrios populares e instrumentos de gestión del suelo. Hacia un observatorio de precios inmobiliarios en Mar del Plata” (FAUD, UNMdP) con la misma dirección.

  7. [7] Este programa que fuera impulsado durante la presidencia de Alberto Fernández fue desestimado al asumir el actual presidente Javier Milei.

Cristian Sar Moreno

Doctor en Ciencias Sociales, geógrafo, especialista en educación, docente en ámbitos universitarios y secundarios, investigador, codirector de proyectos de investigación - vinculación y Transferencia Tecnológica. Formador de recursos humanos, encuestador, organizador de jornadas de investigación y encuentros universitarios. Fuera de ámbito académico, desempeño como operario industrial calificado, obteniendo la matrícula de foguista y experticia técnica en el manejo de aguas industriales además de cursos varios en soldadura, gas, electricidad, hidráulica, neumática y otros que hacen al mantenimiento industrial.

Emilia Carla Mosso

Investigadora Asistente del Concejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (CONICET) con lugar de trabajo en el Instituto de Investigaciones en Desarrollo Urbano, Tecnología y Vivienda (UNMdP). Doctora en Arquitectura (UNR), Arquitecta (UNL), Técnica Constructora Nacional (UNL), formadora en docencia (FASTA), docente universitaria presencial y a distancia (FADU, UNL). Participa como investigadora en proyectos de investigación, extensión y transferencia (UNMdP y UNL), cuenta con publicaciones en revistas, libros y capítulos de libro del ámbito nacional e internacional, participa de congresos, encuentros y jornadas y es formadora de recursos humanos de grado. Fuera del ámbito académico, explora la fotografía y las tintas y acuarelas.

Autores

el Programa Mi Pieza (2021–2023)

Autoconstrucción, género y política habitacional en barrios populares argentinos:

el Programa Mi Pieza (2021–2023)

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En el marco de los procesos de urbanización popular en Argentina, particularmente en los barrios populares, las estrategias habitacionales adoptadas por las mujeres beneficiarias del Programa y sus familias representan un campo fértil para comprender los modos en que los sectores populares producen y reproducen su hábitat. Lejos de una perspectiva centrada exclusivamente en las carencias, se propone aquí una lectura que pone en valor los recursos movilizados, las capacidades desplegadas y las formas de organización doméstica y comunitaria que sostienen y configuran dichas estrategias.

el Programa Mi Pieza (2021–2023)

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Imagen 2. Localización de beneficiarias Mi Pieza en la ciudad de Santa Fe

Fuente: Elaboración propia con base en Isla et al. (2023) y SISU (2025).

Imagen 1. Localización de beneficiarias Mi Pieza en la ciudad de Mar del Plata

Fuente: Elaboración propia con base en Isla et al. (2023) y SISU (2025).

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Imagen 3. Barrios más representativos con cantidad de beneficiarias de Mi Pieza en Santa Fe y Mar del Plata

Fuente: Elaboración propia con base en Tabla 1 y 2 (2025).

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Yujnovsky, O. (1984). Claves políticas del problema habitacional argentino, 1955-1981 (Vol. 1). Grupo Editor Latinoamericano.

Cómo citar

APA

Sar Moreno, C. & Mosso, E. (2026). Autoconstrucción, género y política habitacional en barrios populares argentinos: el Programa Mi Pieza (2021–2023). Bitácora Urbano Territorial, 36(1), 116–128. https://doi.org/10.15446/bitacora.v36n1.122312

ACM

[1]
Sar Moreno, C. y Mosso, E. 2026. Autoconstrucción, género y política habitacional en barrios populares argentinos: el Programa Mi Pieza (2021–2023). Bitácora Urbano Territorial. 36, 1 (feb. 2026), 116–128. DOI:https://doi.org/10.15446/bitacora.v36n1.122312.

ACS

(1)
Sar Moreno, C.; Mosso, E. Autoconstrucción, género y política habitacional en barrios populares argentinos: el Programa Mi Pieza (2021–2023). Bitácora Urbano Territorial 2026, 36, 116-128.

ABNT

SAR MORENO, C.; MOSSO, E. Autoconstrucción, género y política habitacional en barrios populares argentinos: el Programa Mi Pieza (2021–2023). Bitácora Urbano Territorial, [S. l.], v. 36, n. 1, p. 116–128, 2026. DOI: 10.15446/bitacora.v36n1.122312. Disponível em: https://revistas.unal.edu.co/index.php/bitacora/article/view/122312. Acesso em: 24 jun. 2026.

Chicago

Sar Moreno, Cristián, y Emilia Mosso. 2026. «Autoconstrucción, género y política habitacional en barrios populares argentinos: el Programa Mi Pieza (2021–2023)». Bitácora Urbano Territorial 36 (1):116-28. https://doi.org/10.15446/bitacora.v36n1.122312.

Harvard

Sar Moreno, C. y Mosso, E. (2026) «Autoconstrucción, género y política habitacional en barrios populares argentinos: el Programa Mi Pieza (2021–2023)», Bitácora Urbano Territorial, 36(1), pp. 116–128. doi: 10.15446/bitacora.v36n1.122312.

IEEE

[1]
C. Sar Moreno y E. Mosso, «Autoconstrucción, género y política habitacional en barrios populares argentinos: el Programa Mi Pieza (2021–2023)», Bitácora Urbano Territorial, vol. 36, n.º 1, pp. 116–128, feb. 2026.

MLA

Sar Moreno, C., y E. Mosso. «Autoconstrucción, género y política habitacional en barrios populares argentinos: el Programa Mi Pieza (2021–2023)». Bitácora Urbano Territorial, vol. 36, n.º 1, febrero de 2026, pp. 116-28, doi:10.15446/bitacora.v36n1.122312.

Turabian

Sar Moreno, Cristián, y Emilia Mosso. «Autoconstrucción, género y política habitacional en barrios populares argentinos: el Programa Mi Pieza (2021–2023)». Bitácora Urbano Territorial 36, no. 1 (febrero 27, 2026): 116–128. Accedido junio 24, 2026. https://revistas.unal.edu.co/index.php/bitacora/article/view/122312.

Vancouver

1.
Sar Moreno C, Mosso E. Autoconstrucción, género y política habitacional en barrios populares argentinos: el Programa Mi Pieza (2021–2023). Bitácora Urbano Territorial [Internet]. 27 de febrero de 2026 [citado 24 de junio de 2026];36(1):116-28. Disponible en: https://revistas.unal.edu.co/index.php/bitacora/article/view/122312

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