Publicado
Habitat e habitar: a urgência de uma poética urbana. Henri Lefebvre e as práticas de apropriação no Brasil
Habitat and inhabiting: the urgency of an urban poetics. Henri Lefebvre and practices of appropriation in Brazil
Hábitat y habitar: la urgencia de una poética urbana. Henri Lefebvre y las prácticas de apropiación en Brasil
Habitat et habiter: l’urgence d’une poétique urbaine. Henri Lefebvre et les pratiques d’appropriation au Brésil
DOI:
https://doi.org/10.15446/bitacora.v36n1.122364Palabras clave:
Direito à cidade, Urbanização, Apropriação urbana, Poesia, Brasil (pt)Right to the city, Urbanization, Urban appropriation, Poetry, Brazil (en)
Derecho a la ciudad, Urbanización, Apropiación urbana, Poesía, Brasil (es)
Droit à la ville, Urbanisation, Appropriation urbaine, Poésie, Brésil (fr)
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Este artigo propõe uma releitura crítica do direito à cidade a partir da distinção entre habitat e habitar, com base na filosofia urbana de Henri Lefebvre. Argumenta-se que a crise da habitação não se resolve apenas por meios técnico-administrativos; antes, requer a reativação do habitar enquanto prática simbólica, sensível e criativa. Dialogando com autores como Heidegger e Nietzsche, Lefebvre articula a poiesis e a apropriação como fundamentos de uma nova práxis urbana. A partir dessa chave, o texto examina experiências de ocupação e autogestão no centro de São Paulo, como a Ocupação 9 de Julho, que tensionam a lógica da propriedade e da funcionalização do espaço. Ao reconectar o urbano à linguagem e à criação coletiva, essas práticas não apenas contestam as estruturas da desigualdade espacial, mas também reavivam a cidade como obra poética.
This article proposes a critical rereading of the right to the city based on the distinction between habitat and inhabiting, grounded in Henri Lefebvre’s urban philosophy. It argues that the housing crisis cannot be resolved solely through technical-administrative means; rather, it requires the reactivation of inhabiting as a symbolic, sensuous, and creative practice. In dialogue with authors such as Heidegger and Nietzsche, Lefebvre articulates poiesis and appropriation as the foundations of a new urban praxis. From this perspective, the article examines experiences of occupation and self-management in downtown São Paulo, such as Ocupação 9 de Julho, which challenge the logic of property and the functionalization of space. By reconnecting the urban to language and collective creation, these practices not only contest the structures of spatial inequality but also revive the city as a poetic work.
Este artículo propone una relectura crítica del derecho a la ciudad a partir de la distinción entre hábitat y habitar, con base en la filosofía urbana de Henri Lefebvre. Se argumenta que la crisis de la vivienda no se resuelve únicamente por medios técnico-administrativos; antes bien, requiere la reactivación del habitar como práctica simbólica, sensible y creativa. En diálogo con autores como Heidegger y Nietzsche, Lefebvre articula la poiesis y la apropiación como fundamentos de una nueva praxis urbana. A partir de esta clave, el texto examina experiencias de ocupación y autogestión en el centro de São Paulo, como la Ocupação 9 de Julho, que tensionan la lógica de la propiedad y de la funcionalización del espacio. Al reconectar lo urbano con el lenguaje y la creación colectiva, estas prácticas no solo cuestionan las estructuras de la desigualdad espacial, sino que también reavivan la ciudad como obra poética.
Cet article propose une relecture critique du droit à la ville à partir de la distinction entre habitat et habiter, fondée sur la philosophie urbaine d’Henri Lefebvre. Il soutient que la crise du logement ne se résout pas uniquement par des moyens technico-administratifs ; elle requiert au contraire la réactivation de l’habiter en tant que pratique symbolique, sensible et créative. En dialogue avec des auteurs tels que Heidegger et Nietzsche, Lefebvre articule la poiesis et l’appropriation comme fondements d’une nouvelle praxis urbaine. À partir de cette clé de lecture, le texte examine des expériences d’occupation et d’autogestion dans le centre de São Paulo, telles que l’Ocupação 9 de Julho, qui mettent en tension la logique de la propriété et de la fonctionnalisation de l’espace. En reconnectant l’urbain au langage et à la création collective, ces pratiques ne contestent pas seulement les structures de l’inégalité spatiale, mais ravivent également la ville comme œuvre poétique.
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