Publicado

2026-09-11

Músicas brasileiras e misoginia: uma interpretação analítico-comportamental das produções mais ouvidas em 2024

Brazilian Music and Misogyny: An Analytical-Behavioral Interpretation of the Most Listened Productions in 2024

Músicas brasileñas y misoginia: una interpretación analítico-comportamental de las producciones más escuchadas en 2024

DOI:

https://doi.org/10.15446/rcs.v48n2.118203

Palabras clave:

Cultural patriarcal, Misoginia, Objetificação das mulheres, Práticas verbais, Regras, Violência de gênero, Música brasileira (pt)
Brazilian music, Gender violence, Misogyny, Norms, Objectification of women, Patriarchal culture, Verbal practices (en)
Cultura Patriarcal, Misoginia, Música Brasileña, Normas, Cosificación De Las Mujeres, Prácticas Verbales, Violencia De Género (es)

Autores/as

A música é um mecanismo importante de expressão cultural, que reflete e perpetua práticas sociais e ideológicas. No contexto da cultura brasileira, esta é amplamente caracterizada por práticas patriarcais, machistas, racistas e misóginas. A música, enquanto prática cultural, desempenha um papel fundamental na manutenção e difusão dessas dinâmicas de poder. Nessa cultura, o feminino é frequentemente associado à inferioridade, sendo o corpo, as roupas, os espaços, as funções e os comportamentos femininos subalternizados. A relação com o feminino é estigmatizada pela percepção de fraqueza moral, intelectual, psicológica, sexual e cultural. O estudo proposto examina as letras das músicas brasileiras mais populares de 2024, a partir de uma perspectiva analítico-comportamental, com o objetivo de identificar e analisar práticas verbais/regras misóginas. A pesquisa foi conduzida a partir da seleção das 50 músicas mais tocadas nas principais plataformas de streaming, como Spotify, YouTube Music, Deezer e Apple Music. Após uma análise qualitativa, foram selecionadas 24 músicas por conterem elementos misóginos em suas letras, representando um corpus que reflete as dinâmicas de gênero predominantes na música brasileira. O gênero musical mais prevalente entre as músicas analisadas foi o funk, seguido pelo sertanejo, com algumas fusões de estilos, como o “funknejo”. As letras dessas músicas frequentemente abordam relações sexuais e de interesse, associando o sexo a benefícios materiais ou financeiros, o que evidencia a sexualização das relações e a objetificação das mulheres. A pesquisa revela como, por meio dessas composições, práticas culturais misóginas continuam a ser reforçadas e normalizadas, perpetuando a desigualdade de gênero e a violência contra as mulheres na sociedade. A música, assim, atua como um poderoso veículo na reprodução de estereótipos de gênero. A criação de contrarregras (normas que desafiam e desconstroem as regras culturais opressivas) é essencial para promover a mudança social. Essas contrarregras oferecem uma reinterpretação das emoções, afetos e da identidade, enfatizando a importância de uma construção subjetiva que não se submete às expectativas misóginas. Tais contrarregras ressignificam o lugar da mulher na sociedade, desafiando práticas culturais opressivas e contribuindo para a construção de um futuro mais igualitário.

Music is an important mechanism of cultural expression, reflecting and perpetuating social and ideological practices. In the context of Brazilian culture, it is widely characterized by patriarchal, sexist, racist, and misogynistic practices. Music, as a cultural practice, plays a fundamental role in maintaining and spreading these power dynamics. In this culture, the feminine is frequently associated with inferiority, with the body, clothing, spaces, functions, and behaviors of women being subordinated. The relationship with the feminine is stigmatized by perceptions of moral, intellectual, psychological, sexual, and cultural weakness. The proposed study examines the lyrics of the most popular Brazilian songs of 2024 from an analytical-behavioral perspective, aiming to identify and analyze misogynistic verbal practices/rules. The research was conducted by selecting the 50 most-played songs on major streaming platforms as Spotify, YouTube Music, Deezer, and Apple Music. After a qualitative analysis, 24 songs were selected for containing misogynistic elements in their lyrics, representing a corpus that reflects the dominant gender dynamics in Brazilian music. The most prevalent music genre among the analyzed songs was funk, followed by sertanejo, with some genre fusion, as “funknejo”. The lyrics of these songs often address sexual and transactional relationships, linking sex to material or financial benefits, which highlights the sexualization of relationships and the objectification of women. The research reveals how, through these compositions, misogynistic cultural practices continue to be reinforced and normalized, perpetuating gender inequality and violence against women in society. Music, therefore, acts as a powerful vehicle in reproducing gender stereotypes. The creation of counter-norms —norms that challenge and deconstruct oppressive cultural rules— is essential to promote social change. These counter-norms offer a reinterpretation of emotions, affections, and identity, emphasizing the importance of a subjective construction that does not submit to misogynistic expectations. These counter-norms re-signify the role of women in society, challenging oppressive cultural practices and contributing to the construction of a more egalitarian future.

La música es un mecanismo importante de expresión cultural, que refleja y perpetúa prácticas sociales e ideológicas. En el contexto de la cultura brasileña, esta se caracteriza por prácticas patriarcales, machistas, racistas y misóginas. La música, como práctica cultural, desempeña un papel clave en el mantenimiento y difusión de estas dinámicas de poder. En esta cultura lo femenino se asocia con la inferioridad, siendo el cuerpo, la ropa, los espacios, las funciones y los comportamientos femeninos subalternizados. La relación con lo femenino está estigmatizada por la percepción de debilidad moral, intelectual, psicológica, sexual y cultural. El estudio propuesto examina las letras de las canciones brasileñas más populares de 2024, desde una perspectiva analítico-comportamental, con el objetivo de identificar y analizar prácticas verbales/reglas misóginas. La investigación se realizó a partir de la selección de las 50 canciones más escuchadas en las principales plataformas, como Spotify, YouTube Music, Deezer y Apple Music. Tras un análisis cualitativo, se seleccionaron 24 canciones por contener elementos misóginos en sus letras, representando un corpus que refleja las dinámicas de género predominantes en la música brasileña. El género más común entre las canciones analizadas fue el funk, seguido por el sertanejo, con algunas fusiones de estilos, como el “funknejo”. Las letras de estas canciones abordan con frecuencia relaciones sexuales y de interés, asociando el sexo con beneficios materiales o financieros, lo que evidencia la sexualización de las relaciones y la cosificación de las mujeres. La investigación muestra cómo, a través de estas composiciones, las prácticas culturales misóginas continúan reforzándose y normalizándose, perpetuando la desigualdad de género y la violencia contra las mujeres en la sociedad. La música actúa como un potente vehículo en la reproducción de estereotipos de género. La creación de contranormas —normas que desafían y deconstruyen las reglas culturales opresivas— es esencial para promover el cambio social. Estas contranormas ofrecen una reinterpretación de las emociones, los afectos y la identidad, enfatizando la importancia de una construcción subjetiva que no se somete a las expectativas misóginas. Tales contranormas resignifican el lugar de la mujer en la sociedad, desafiando prácticas culturales opresivas y contribuyendo a la construcción de un futuro más igualitario.

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Músicas brasileñas y misoginia: una interpretación analítico-comportamental de las producciones más escuchadas en 2024. (2026). Revista Colombiana De Sociología, 48(2). https://doi.org/10.15446/rcs.v48n2.118203