Publicado

2020-07-01

A Universidade que aprisiona e a leitura que liberta em O desertor, de Manuel Inácio da Silva Alvarenga

The University that Imprisons and the Reading that Liberates in O desertor, by Manuel Inácio da Silva Alvarenga

La Universidad que aprisiona y la lectura que liberta en O desertor, de Manuel Inácio da Silva Alvarenga

DOI:

https://doi.org/10.15446/lthc.v22n2.86092

Palabras clave:

educação, leitor, Manuel Inácio da Silva Alvarenga, O desertor. (pt)
education, reader, Manuel Inácio da Silva Alvarenga, O desertor. (en)
educación, lector, Manuel Inácio da Silva Alvarenga, O desertor. (es)

Autores/as

  • Cleiry de Oliveira Carvalho independiente

Analisar O desertor pode favorecer a compreensão do lugar e função da formação na estrutura social brasileira, e de sua expressão cultural. Silva Alvarenga parte, nesse poema, do projeto educacional jesuítico visto como problema, e apresenta as reformas pombalinas como boa resposta emergencial. Para tanto, transgredindo a convenção neoclássica, o poeta rompe com as formas poéticas tradicionais, tal como em Coimbra o Marquês de Pombal suprimia os velhos estatutos da Universidade fundada na Escolástica.
Assim, se os alunos da Universidade rejeitaram as inovações de Pombal porque elas os privavam de liberdade, igualmente o poema de Silva Alvarenga, por se libertar da forma “fechada” dos versos, rimas e estrofes tradicionais, será repelido por todos quantos não estavam preparados para as inovações que o poeta introduziu na forma do poema.

Analyzing O desertor may promote the advancement of the understanding of the place and function of formation in the Brazilian social structure, and of its cultural expression. Silva Alvarenga premises the poem on the Jesuitical educational project, perceived as problematic, and presents Pombal’s reforms as a good emergency response. To that end, transgressing the neoclassic convention, the poet breaks off from the traditional poetic forms, just as in Coimbra the Marquis of Pombal suppressed the outdated statutes
of the University, founded on Scholasticism. Thus, if the students of the University rejected Pombal’s innovations because they deprived them of freedom, likewise, the poem by Silva Alvarenga, by freeing itself from the “closed” form of the traditional verses, rhymes and stanzas, will be repelled by all those not prepared for the innovations that the poet introduced in the form of the poem.

Analizar O desertor favorece a la comprensión del lugar y la función de la educación en la estructura social brasileña y de su expresión cultural. Silva Alvarenga parte en este poema del proyecto educativo jesuita, visto como un problema, y presenta las reformas pombalinas como una buena respuesta a la emergencia. Para esto, al transgredir la convención neoclásica, el poeta rompe con las formas poéticas tradicionales, al igual que en Coimbra el marqués de Pombal suprimió los antiguos estatutos de la Universidad, fundada en la escolástica. Así, si los estudiantes de la Universidad rechazaron las innovaciones de Pombal porque los privaba de la libertad, del mismo modo, el poema de Silva Alvarenga, por liberarse de la forma “cerrada” de versos, rimas y estrofas tradicionales, será rechazado por todos aquellos que no estaban preparados para las innovaciones que el poeta introdujo en la forma del poema.

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Oliveira Carvalho, C. de. (2020). A Universidade que aprisiona e a leitura que liberta em O desertor, de Manuel Inácio da Silva Alvarenga. Literatura: teoría, historia, crítica, 22(2), 153–188. https://doi.org/10.15446/lthc.v22n2.86092

ACM

[1]
Oliveira Carvalho, C. de 2020. A Universidade que aprisiona e a leitura que liberta em O desertor, de Manuel Inácio da Silva Alvarenga. Literatura: teoría, historia, crítica. 22, 2 (jul. 2020), 153–188. DOI:https://doi.org/10.15446/lthc.v22n2.86092.

ACS

(1)
Oliveira Carvalho, C. de. A Universidade que aprisiona e a leitura que liberta em O desertor, de Manuel Inácio da Silva Alvarenga. Lit. Teor. Hist. Crít. 2020, 22, 153-188.

ABNT

OLIVEIRA CARVALHO, C. de. A Universidade que aprisiona e a leitura que liberta em O desertor, de Manuel Inácio da Silva Alvarenga. Literatura: teoría, historia, crítica, [S. l.], v. 22, n. 2, p. 153–188, 2020. DOI: 10.15446/lthc.v22n2.86092. Disponível em: https://revistas.unal.edu.co/index.php/lthc/article/view/86092. Acesso em: 18 mar. 2026.

Chicago

Oliveira Carvalho, Cleiry de. 2020. «A Universidade que aprisiona e a leitura que liberta em O desertor, de Manuel Inácio da Silva Alvarenga». Literatura: Teoría, Historia, crítica 22 (2):153-88. https://doi.org/10.15446/lthc.v22n2.86092.

Harvard

Oliveira Carvalho, C. de (2020) «A Universidade que aprisiona e a leitura que liberta em O desertor, de Manuel Inácio da Silva Alvarenga», Literatura: teoría, historia, crítica, 22(2), pp. 153–188. doi: 10.15446/lthc.v22n2.86092.

IEEE

[1]
C. de Oliveira Carvalho, «A Universidade que aprisiona e a leitura que liberta em O desertor, de Manuel Inácio da Silva Alvarenga», Lit. Teor. Hist. Crít., vol. 22, n.º 2, pp. 153–188, jul. 2020.

MLA

Oliveira Carvalho, C. de. «A Universidade que aprisiona e a leitura que liberta em O desertor, de Manuel Inácio da Silva Alvarenga». Literatura: teoría, historia, crítica, vol. 22, n.º 2, julio de 2020, pp. 153-88, doi:10.15446/lthc.v22n2.86092.

Turabian

Oliveira Carvalho, Cleiry de. «A Universidade que aprisiona e a leitura que liberta em O desertor, de Manuel Inácio da Silva Alvarenga». Literatura: teoría, historia, crítica 22, no. 2 (julio 1, 2020): 153–188. Accedido marzo 18, 2026. https://revistas.unal.edu.co/index.php/lthc/article/view/86092.

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1.
Oliveira Carvalho C de. A Universidade que aprisiona e a leitura que liberta em O desertor, de Manuel Inácio da Silva Alvarenga. Lit. Teor. Hist. Crít. [Internet]. 1 de julio de 2020 [citado 18 de marzo de 2026];22(2):153-88. Disponible en: https://revistas.unal.edu.co/index.php/lthc/article/view/86092

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