Publicado

2026-09-07

Biblioteca de Kene Como Museu dos Processos de Tecelagem Huni Kuin: Museologia Indígena e Autogestão Patrimonial

Kene Library as a Museum of Huni Kuin Weaving Processes: Indigenous museology and Heritage Self-Management

Biblioteca de Kene Como Museo de los Procesos de Tejido Huni Kuin: Museología Indígena y Autogestión del Patrimonio

DOI:

https://doi.org/10.15446/ma.v17n2.122326

Palabras clave:

Kene, mulheres, Huni Kuin, museografia, biblioteca, patrimonialização (pt)
kene, Huni Kuin, women, museography, library, heritage (en)
kene, mujeres, Huni kuin, museografía, biblioteca, patrimonialización (es)

Autores/as

Este artigo apresenta a Biblioteca de Kene (2024), projeto político-pedagógico conduzido por mulheres Huni Kuin da aldeia Arco-Íris, localizada na Terra Indígena Seringal Independência, estado do Acre, Brasil, idealizado por Txima Inani Bake, em colaboração com a pesquisadora Alexandra Bruch Deitos. A iniciativa responde à demanda comunitária por revitalização, ensino e documentação do kene, grafismo sagrado historicamente produzido e transmitido por mulheres. Distanciando-se da lógica ocidental de museus como espaços de preservação estática, o projeto assume a forma de uma Biblioteca, termo que expressa sua natureza viva, pedagógica e territorializada. A Primeira Oficina de Kene, realizada em setembro de 2024 no kupixawa (espaço comunitário tradicional), reuniu mestras e jovens aprendizes para tecer, nomear e registrar grafismos, configurando-se como um ato político-feminino de resistência cultural. O processo integra saberes espirituais, corpóreos e cosmológicos, subvertendo modelos coloniais de patrimonialização e educação. Através de um espaço físico na aldeia e um site colaborativo, a Biblioteca articula tradição e tecnologia, garantindo a autonomia epistemológica das mulheres na gestão de seus conhecimentos. Ao posicionar as mulheres como sujeitas ativas na produção e circulação do saber, o projeto reafirma a identidade Huni Kuin e contribui para os campos da museologia indígena, educação diferenciada e questões de gênero.

This article presents the Kene Library (2024), a political-pedagogical project led by Huni Kuin women from the Arco-Íris village, located in the Seringal Independência Indigenous Territory, Acre, conceived by Txima Inani Bake in collaboration with researcher Alexandra Bruch Deitos. The initiative responds to the community's demand for the revitalization, teaching, and documentation of kene, a sacred graphic tradition historically produced and transmitted by women. Moving away from the Western logic of museums as spaces of static preservation, the project takes the form of a Library, a term that expresses its living, pedagogical, and territorialized nature. The First Kene Workshop, held in September 2024 in the kupixawa (a traditional communal space), brought together master weavers and young apprentices to weave, name, and record graphic patterns, constituting a political-feminine act of cultural resistance. The process integrates spiritual, bodily, and cosmological knowledge, subverting colonial models of heritage and education. Through a physical space in the village and a collaborative website, the Library articulates tradition and technology, ensuring the epistemological autonomy of women in the management of their knowledge. By positioning women as active subjects in the production and circulation of knowledge, the project reaffirms Huni Kuin identity and contributes to the fields of Indigenous museology, differentiated education, and gender issues.

Este artículo presenta la Biblioteca de Kene (2024), un proyecto político-pedagógico llevado a cabo por mujeres Huni Kuin de la comunidad Arco-Íris, ubicada en la Tierra Indígena Seringal Independência, Acre, ideado por Txima Inani Bake en colaboración con la investigadora Alexandra Bruch Deitos. La iniciativa responde a la demanda comunitaria de revitalización, enseñanza y documentación del kene, un grafismo sagrado históricamente producido y transmitido por mujeres. Alejándose de la lógica occidental de los museos como espacios de preservación estática, el proyecto adopta la forma de una Biblioteca, término que expresa su naturaleza viva, pedagógica y territorializada. La El Primer Taller de Kene, realizado en septiembre de 2024 en el kupixawa (espacio comunitario tradicional), reunió a maestras y jóvenes aprendices para tejer, nombrar y registrar grafismos, constituyéndose así en un acto político-femenino de resistencia cultural. El proceso integra saberes espirituales, corporales y cosmológicos, subvirtiendo modelos coloniales de patrimonialización y educación. A través de un espacio físico en la comunidad y un sitio web colaborativo, la Biblioteca articula tradición y tecnología, garantizando la autonomía epistemológica de las mujeres en la gestión de sus conocimientos. Al posicionar a las mujeres como sujetas activas en la producción y circulación del saber, el proyecto reafirma la identidad Huni Kuin y contribuye a los campos de la museología indígena, la educación diferenciada y las cuestiones de género.

Referencias

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Cómo citar

Biblioteca de Kene Como Museo de los Procesos de Tejido Huni Kuin: Museología Indígena y Autogestión del Patrimonio. (2026). Mundo Amazónico, 17(2), e122326. https://doi.org/10.15446/ma.v17n2.122326