Nhe'ẽ Porã: interação na musealização de línguas e culturas indígenas
Nhe'ẽ Porã: Interaction in the Musealization of Indigenous Languages and Culture
Nhe'ẽ Porã: interacción en la musealización de lenguas y culturas indígenas
DOI:
https://doi.org/10.15446/ma.v17n2.122574Palabras clave:
museologia, línguas indígenas, enação, ação co-operativa, semiótica das interações (pt)museology, Indigenous languages, enaction, co-operative action, interaction semiotics (en)
museos, lenguas indígenas, enacción, acción co-operativa, semiótica de las interacciones (es)
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Este artigo analisa a exposição Nhe’ẽ Porã: Memória e Transformação, realizada pelo Museu da Língua Portuguesa (São Paulo, Brasil), utilizando-a como estudo de caso para propor uma abordagem museológica para a apresentação de línguas e culturas. Fundamentado principalmente na Teoria da Enação (Maturana e Varela, 1987) e no conceito de ação co-operativa (Goodwin, 2018), o trabalho argumenta que linguagem e cultura não são entidades estáticas, mas fenômenos dinâmicos que emergem das interações contínuas entre pessoas, objetos e ambientes e se co-determinam. A exposição traz exemplos de superação de dicotomias tradicionais da museologia, apresentando a diversidade linguística indígena não por meio de artefatos isolados, mas como parte integrante de práticas interacionais, processos de criação de mundos e de resistência sociopolítica. A premissa central é a de que a visita a um museu é, em si, uma experiência semiótica e interacional que gera novos significados a cada encontro. Ao (re)criar contextos que permitem aos visitantes interagir com materiais semióticos (objetos, sons, textos), a curadoria de Nhe’ẽ Porã mostrou-se um exemplo de que a musealização pode ir além da simples exibição descontextualizada. Essa perspectiva contribui mais efetivamente para processos de revitalização e retomada linguística, pois desloca o foco da mera documentação para a preservação de modos de vida, fortalecendo os sistemas de conhecimento indígenas em sua totalidade e complexidade.
This article analyzes the exhibition titled Nhe’ẽ Porã: Memória e Transformação, held by the Museu da Língua Portuguesa (São Paulo, Brazil), using it as a case study to propose a museological approach to the presentation of languages and cultures. Grounded primarily in Enaction Theory (Maturana and Varela, 1987) and the concept of co-operative action (Goodwin, 2018), this paper argues that language and culture are not static entities, but dynamic phenomena that emerge from ongoing interactions between people, objects, and environments, which, in addition, co-determine one another. The exhibition offers examples of overcoming traditional dichotomies in museology, presenting indigenous linguistic diversity not through isolated artifacts, but as an integral part of interactional practices, world-making processes, and sociopolitical resistance. The central premise is that a museum visit is, in itself, a semiotic and interactional experience that generates new meanings with each encounter. By (re)creating contexts that allow visitors to interact with semiotic materials (objects, sounds, texts), the curatorship of Nhe'ẽ Porã proved to be an example that musealization can go beyond mere decontextualized display. This perspective contributes more effectively to processes of linguistic revitalization and reclamation, as it shifts the focus from mere documentation to the preservation of ways of life, strengthening indigenous knowledge systems in their totality and complexity.
Este artículo analiza la exposición Nhe’ẽ Porã: Memória e Transformação, realizada por el Museu da Língua Portuguesa (São Paulo, Brasil), utilizándola como estudio de caso para proponer un enfoque museológico para la presentación de lenguas y culturas. Fundamentado principalmente en la Teoría de la Enacción (Maturana y Varela, 1987) y en el concepto de acción co-operativa (Goodwin, 2018), este trabajo sostiene que la lengua y la cultura no son entidades estáticas, sino fenómenos dinámicos que emergen de las interacciones continuas entre personas, objetos y entornos, y que se co-determinan entre sí. La exposición ofrece ejemplos de superación de dicotomías tradicionales de la museología, presentando la diversidad lingüística indígena no mediante artefactos aislados, sino como parte integrante de prácticas interaccionales, procesos de creación de mundos y de resistencia sociopolítica. La premisa central es que la visita a un museo es, en sí misma, una experiencia semiótica e interaccional que genera nuevos significados en cada encuentro. Al (re)crear contextos que permiten a los visitantes interactuar con materiales semióticos (objetos, sonidos, textos), la curaduría de Nhe'ẽ Porã se mostró como un ejemplo de que la musealización puede ir más allá de la simple exhibición descontextualizada. Esta perspectiva contribuye de manera más efectiva a los procesos de revitalización y recuperación lingüística, pues desplaza el foco de la mera documentación hacia la preservación de modos de vida, fortaleciendo los sistemas de conocimiento indígenas en su totalidad y complejidad.
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