Publicado

2022-12-20

For a Legal Protection of Places of Hurtful Memory of the Military Dictatorship in Juiz de Fora, Brazil (1964-1985)

Por una protección jurídica de los lugares de memoria dolorosa de la dictadura militar en Juiz de Fora, Brasil (1964-1985)

Por uma proteção legal de lugares de memória sensível da ditadura militar em Juiz de Fora, Brasil (1964-1985)

Palabras clave:

Brazil, cultural heritage, dark heritage, military dictatorship, sites of hurtful memory (en)
Brasil, dictadura militar, lugares sensibles de la memoria, patrimonio cultural, patrimonio oscuro (es)
Brasil, ditadura militar, lugares de memória sensível, patrimônio cultural, patrimônio sombrío (pt)

Autores/as

Objective: The indication of the places of memory of the military dictatorship in Brazil is still incipient in this country. Thus, this work intends to indicate such places in Juiz de Fora, Minas Gerais, protagonist of the 1964 coup to democracy, not only because General Mourão Filho’s troops were stationed there a materialization of what was already planned in the barracks; but because it was the headquarters of the Military Region, where its audit collected hearings from witnesses and organized trials, and civilian and military facilities were used as spaces for torture and serving sentences. Methodology: Through concepts such as “dark heritage” and “places of sensitive memory”, we will try to demonstrate how silencing is preponderant in local public policies, whether in the non-identification of these places, or in the listing processes that privilege aesthetic and stylistic aspects to the detriment of memories of the dictatorship. Originality: Since the places discussed in this article are not object of public policies in favour of collective memory, this work will indicate buildings that were places of State violence and generally go unnoticed in the city’s landscape. Conclusions: The erasure of the dictatorial past in Juiz de Fora, and in Brazil in general, is a strategy of covering up responsibilities.

Objetivo: la indicación de los lugares de memoria de la dictadura militar en Brasil es aún incipiente en ese país. Así, este trabajo pretende señalar lugares de memoria de la dictadura en Juiz de Fora, Minas Gerais, protagonista del golpe de 1964 a la democracia, no solo porque las tropas del general Mourão Filho salieron de allí como materialización de lo que ya estaba planeado en el cuartel; sino porque fue la sede de la Región Militar, donde su auditoría reunió audiencias de testigos y organizó juicios, así como porque las instalaciones civiles y militares sirvieron de espacio para la tortura y el cumplimiento de sentencias. Metodología: a través de conceptos como “patrimonio oscuro” y “lugares de memoria sensible”, intentaremos demostrar cómo el silenciamiento es preponderante en las políticas públicas locales, ya sea en la no identificación de estos lugares, o en los procesos de vuelco que solo hacen referencia a aspectos estético-estilísticos del mercado inmobiliario ligados a la memoria de la dictadura. Originalidad: dado que los bienes discutidos en este artículo no son objeto de políticas públicas a favor de la memoria colectiva, este trabajo señalará edificios en donde tuvo lugar el uso de la violencia ejercida por parte del Estado y que, generalmente, pasan desapercibidos en el paisaje de la ciudad. Conclusiones: el borrado del pasado dictatorial en Juiz de Fora, y en Brasil en general, es una estrategia de encubrimiento de responsabilidades.

Objetivo: a indicação dos lugares de memória da ditadura militar no Brasil ainda é incipiente nesse país. Assim, este trabalho pretende indicar lugares de memória da ditadura em Juiz de Fora, Minas Gerais, protagonista do golpe de 1964 à democracia, não apenas porque as tropas do General Mourão Filho saíram de lá (materialização do que já estava planejado no quartel) mas porque foi a sede da Região Militar, onde a sua auditoria recolheu audiências de testemunhas e julgamentos organizados, bem como porque instalações civis e militares serviram de espaço para a tortura e o cumprimento de penas. Metodologia: por meio de conceitos como “patrimônio sombrio” e “lugares de memória sensível”, demonstraremos como o silenciamento é preponderante nas políticas públicas locais, seja na não identificação desses lugares, seja nos processos de tombamento que privilegiam apenas aspectos estético-estilísticos do mercado imobiliário ligados à memória da ditadura. Originalidade: visto que os bens tratados nesse artigo não são objetos de políticas públicas em favor da memória coletiva, o trabalho indicará edificações que foram lugares de uso da violência do Estado que passam generalmente desapercebidos pela paisagem da cidade. Conclusões: o apagamento do passado ditatorial em Juiz de Fora, e em geral no Brasil, é uma estratégia de encobrimento de responsabilidades.

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