Publicado
Cosmologias do cuidado: vigilância de base comunitária com povos indígenas em Manaus durante a pandemia de Covid-19
Cosmologies of Care: Community-Based Surveillance with Indigenous Peoples in Manaus during the COVID-19 Pandemic
Cosmologías del cuidado: vigilancia comunitaria con pueblos indígenas en Manaus durante la pandemia de COVID-19
DOI:
https://doi.org/10.15446/ma.v17n1.121085Palabras clave:
Saúde Indígena, Antropologia da saúde, Covid-19, Vigilância de base comunitária, Manaus (pt)indigenous health, health anthropology, COVID-19, community surveillance, Manaus (en)
Salud indigena, Antropologia de la Salud, Covid-19, Vigilancia comunitaria, Manaos (es)
Descargas
Este artigo apresenta uma reflexão a partir da experiência do projeto Capim Santo, voltado à estruturação de uma vigilância epidemiológica de base comunitária entre povos indígenas em contexto urbano na cidade de Manaus durante a pandemia de Covid-19. O projeto articulou metodologias da antropologia da saúde, saberes tradicionais e ferramentas digitais, buscando enfrentar a invisibilização dos povos indígenas nos sistemas oficiais de saúde e informação. A partir de oficinas, cartografias sociais e coleta de dados realizada por indígenas pesquisadores, o projeto evidenciou práticas de cuidado enraizadas no território, nas cosmologias próprias e nas estratégias coletivas de sobrevivência e resistência. Ao privilegiar a escuta, o protagonismo comunitário e a memória como campos de ação política, o artigo discute os limites das respostas estatais e a potência de epistemologias indígenas diante da crise. A proposta se inscreve no campo da antropologia colaborativa e reafirma o direito dos povos indígenas à cidade, à saúde e à produção de seus próprios modos de vida.
This article presents a reflection on the experience of the Capim Santo project, which aimed to structure community-based epidemiologic surveillance among the indigenous peoples in the urban context of the city of Manaus during the COVID-19 pandemic. The project articulated methodologies from health anthropology, traditional knowledge, and digital tools in order to tackle the invisibilization of indigenous peoples in state health and information systems. Through workshops, social cartographies, and data collection by indigenous researchers, the project evidenced care practices rooted in the territory, in communities’ cosmologies, and in their collective survival and resistance strategies. By privileging listening, community protagonism, and memory as fields of political action, this article discusses the limits of state responses and the power of indigenous epistemologies amid the crisis. This proposal is situated within the field of collaborative anthropology and reaffirms the rights of indigenous peoples to the city, to health, and to the production of their own ways of life.
Este artículo presenta una reflexión a partir de la experiencia del proyecto Capim Santo, orientado a estructurar una vigilancia epidemiológica de base comunitaria entre los pueblos indígenas en el contexto urbano de la ciudad de Manaos durante la pandemia del COVID-19. El proyecto articuló metodologías de la antropología de la salud, saberes tradicionales y herramientas digitales, a fin de enfrentar la invisibilización de los pueblos indígenas en los sistemas oficiales de salud e información. A partir de talleres, cartografías sociales y procesos de recolección de datos por parte de investigadores indígenas, el proyecto evidenció prácticas de cuidado arraigadas en el territorio, en las cosmologías propias y en las estrategias colectivas de supervivencia y resistencia. Al privilegiar la escucha, el protagonismo comunitario y la memoria como campos de acción política, este artículo discute los límites de las respuestas estatales y la potencia de las epistemologías indígenas frente a la crisis. Esta propuesta se inscribe en el campo de la antropología colaborativa y reafirma el derecho de los pueblos indígenas a la ciudad, a la salud y a la producción de sus propios modos de vida.
Referencias
Barreto, J. P. L. (2021). Kumuã na kahtiroti-ukuse: uma “teoria” sobre o corpo e o conhecimento-prático dos especialistas indígenas do Alto Rio Negro [Tese de doutorado, Universidade Federal do Amazonas].
Carvalho, R. A., Silva, A. M., Oliveira, L. F., Santos, M. C., e Pereira, J. R. (2025). Impact of coronavirus disease (COVID)-19 on the indigenous population of Brazil: A systematic review. Frontiers in Public Health, 13. https://doi.org/10.1007/s40615-025-02451-4
Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (COPIME), Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental (SARES), Observatório Nacional de Justiça Socioambiental Luciano Mendes de Almeida (OLMA) e Arquidiocese de Manaus (2020, April 23). Nota pública: Manaus – ruptura do sistema de saúde e assistência social aos povos indígenas [Nota institucional não publicada].
Cunha, M. L. S., Casanova, A. O., da Cruz, M. M., Suárez-Mutis, M. C., Marchon-Silva, V., Souza e Souza, M., Gomes, M. de F., Reis, A. C., e Peiter, P. C. (2023). Planejamento e gestão do processo de trabalho em saúde indígena: análise da estrutura do Sub-Sistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS). Saúde e Sociedade, 32, e220127pt. https://doi.org/ 10.1590/s0104-12902023220127pt
Das, V. (2007). Life and words: Violence and the descent into the ordinary. University of California Press. https://doi.org/10.1525/9780520939530
Franco, M. A. S. (2005). Pedagogia da pesquisa-ação. Educação e Pesquisa, 31(3), 483-502. https://doi.org/10.1590/S1517-97022005000300011
Freire, P. (1997). Pedagogia da Esperança. Um reencontro com a pedagogia do oprimido. Paz & Terra.
Freire, P. (2019). Pedagogia do oprimido (ed. 91). Paz & Terra.
He, D., Artzy-Randrup, Y., Musa, S. S., Gräf, T., Naveca, F., e Stone, L. (2024). Modelling the unexpected dynamics of Covid-19 in Manaus, Brazil. Infectious Disease Modelling, 9(2), 557-568. https://doi.org/10.1016/j.idm.2024.02.012
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2022). Cidades e Estados: Manaus (AM). https://cidades.ibge.gov.br/brasil/am/manaus/panorama
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2023). Os indígenas no Censo 2022. Educa IBGE. https://educa.ibge.gov.br/criancas/brasil/nosso-povo/22324-os-indigenas-no-censo-2022.html
Krenak, A. (2019). Ideias para adiar o fim do mundo. Companhia das Letras.
Machado, J. H. M., Pivetta, F., Silva, J. F. S., e Bonetti, O. P. (2021). Vigilância popular em saúde em tempos de pandemia: proposta de um caminho. Em C. M. de Freitas, C. Barcellos, D. A. M. Villela, Daniel Antunes Maciel (Orgs.) COVID-19 no Brasil: cenários epidemiológicos e vigilância em saúde (pp. 397-411). Editora Fiocruz. https://doi.org/10.7476/9786557081211.0025
Menéndez, E. (1998). Modelos de atenção em saúde e cultura: elementos para uma discussão antropológica. Cadernos de Saúde Pública, 14(1), 7-18.
Pontes, G. S., Silva, J. de M., Pinheiro-Silva, R., Barbosa, A. N., Santos, L. C., Ramalho, A. de P. Q., Alves, C. E. de C., da Silva, D. F., de Oliveira, L. C., da Costa, A. G., e Bruno, A. C. (2021). Increased vulnerability to SARS CoV 2 infection among indigenous people living in the urban area of Manaus. Nature, 11, 17534. https://doi.org/10.1038/s41598-021-96843-1
Santos, F. V. (1994). O retorno do território. Em M. Santos, M. A. de Souza e M. L. Silveira (Orgs.), Território: Globalização e fragmentação (pp. 15-20). Hucitec.
Santos, F. V. (2020). “O chazinho que minha avó fazia”: terapias alternativas e conhecimentos tradicionais amazônicos em tempos de COVID-19. Repositório de Percepções sobre o COVID-19 na Amazônia. https://amazonia.fiocruz.br/?page_id=31561
Santos, F. V., Lima de Menezes, K. M., Florentino, Y. A., Rodrigues, C., e Sabino de Castro, F. (2023). Corpos e cura na cidade: categorizações nosológicas relacionadas ao Covid-19 entre moradores de uma comunidade Tikuna de Manaus, Amazonas, Brasil. Espaço Ameríndio, 17(2), 260-278. https://doi.org/10.22456/1982-6524.130180
Vieceli, L. (2023, 7 de agosto). Brasil tem quase 1,7 milhão de indígenas, aponta Censo 2022. Folha de São Paulo. https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2023/08/brasil-tem-quase-17-milhao-de-indigenas-aponta-censo-2022.shtml
Scalco, N., Aith, F., e Louvison, M. (2020). A relação interfederativa e a integralidade no subsistema de saúde indígena: uma história fragmentada. Saúde em Debate, 44(126), 593-606. https://doi.org/10.1590/0103-1104202012601
World Health Organization (WHO) (2019). A definition for community-based surveillance and a way forward: Results of the WHO global technical meeting, France, 26 to 28 June 2018. Weekly Epidemiological Record, 94(36), 429-434. https://apps.who.int/iris/handle/10665/326497
Cómo citar
APA
ACM
ACS
ABNT
Chicago
Harvard
IEEE
MLA
Turabian
Vancouver
Descargar cita
Licencia
Derechos de autor 2026 Fabiane Vinente dos Santos, Clayton de Souza Rodrigues, Nelly Duarte Dollis, Jean Ricardo Ramos Maia

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución-NoComercial-SinDerivadas 4.0.
Los autores son responsables de todas las autorizaciones que la publicación de sus contribuciones pueda requerir. Cuando el manuscrito sea aceptado para publicación, los autores deberán enviar una declaración formal sobre la autenticidad del trabajo, asumiendo personalmente la responsabilidad por todo lo que el artículo contenga e indicando expresamente su derecho a editarlo. La publicación de un artículo en Mundo Amazónico no implica la cesión de derechos por parte de sus autores; sin embargo, el envío de la contribución representa autorización de los autores a Mundo Amazónico para su publicación. En caso de realizarse una reimpresión total o parcial de un artículo publicado en Mundo Amazónico, ya sea en su idioma original o en una versión traducida, se debe citar la fuente original. Los artículos publicados en la revista están amparados por una licencia Creative Commons 4.0.
Los autores que publican en esta revista están de acuerdo con los siguientes términos:
- Los autores conservan el copyright y otorgan a la revista el derecho de la primera publicación, con el trabajo simultáneamente licenciado bajo una Creative Commons Attribution License que permite a otros compartir el trabajo con el reconocimiento de la autoría y la publicación inicial en esta revista.
- Los autores pueden hacer arreglos contractuales adicionales para la distribución no-exclusiva de la versión publicada en la revista (por ejemplo, colocar en un repositorio institucional o publicarlo en un libro), con el reconocimiento de su publicación inicial en esta revista.



