Publicado

2026-07-31

Mulheres trans e tensionamentos à ordem heterormativa: eu não quero que ninguém conte a minha história

Trans Women and Challenges to the Heteronormative Order: I Don't Want Anyone to Tell My Story

Mujeres trans y las tensiones a la orden heteronormativa: no quiero que nadie cuente mi historia

DOI:

https://doi.org/10.15446/rcdg.v35n2.120127

Palabras clave:

gênero, geografias trans, interseccionalidade, universidade, Três Lagoas, Brasil (pt)
gender, trans geographies, intersectionality, university, Três Lagoas, Brazil (en)
género, geografías trans, interseccionalidad, universidad, Três Lagoas, Brasil (es)

Autores/as

As pesquisas geográficas, em geral, priorizam análises macroeconômicas e estruturas espaciais amplas, o que frequentemente resulta na marginalização de determinados grupos sociais, temas e metodologias. Neste texto, buscamos tensionar essas geometrias de poder que sustentam hegemonias dentro da produção científica, ao direcionarmos o olhar para as experiências de mulheres trans e suas práticas espaciais cotidianas. Nosso objetivo é evidenciar as espacialidades construídas por essas mulheres em meio às estruturas de opressão sustentadas pela ordem machista e heteronormativa. Utilizamos entrevistas com roteiro semiestruturado para produzir dados qualitativos sobre suas vivências, complementados por dados secundários; para este texto, utilizamos duas entrevistas. O roteiro contemplou perguntas que percorrem a linha do tempo das entrevistadas, da infância à vida adulta, articulando espaço e tempo. Esses corpos, ao desafiarem normas heteronormativas —e, muitas vezes, por serem também corpos negros— enfrentam o racismo articulado à transfobia e ao preconceito de gênero e sexualidade. Isso exige estratégias específicas de ocupação e circulação no espaço urbano para garantir segurança e existência. As espacialidades dessas mulheres revelam formas alternativas de se relacionar com as estruturas que organizam a cidade, produzindo fissuras mesmo em meio às limitações impostas. Nesse contexto, a universidade pública emerge como espaço potencial de acolhimento, debate e transformação.

Geographical research generally prioritizes macroeconomic analyses and broad spatial structures, which often results in the marginalization of certain social groups, themes, and methodologies. In this text, we seek to challenge these geometries of power that sustain hegemonies within scientific production by directing our focus toward the experiences of trans women and their everyday spatial practices. Our objective is to highlight the spatialities constructed by these women amid the structures of oppression upheld by a machista and heteronormative order. We used semi-structured interviews to produce qualitative data on their lived experiences, complemented by secondary data; for this text, we draw on two interviews. The interview script included questions that traced the participants’ life trajectories, from childhood to adulthood, articulating space and time. These bodies, by challenging heteronormative norms —and, in many cases, for also being Black bodies— face racism intertwined with transphobia and prejudice related to gender and sexuality. This requires specific strategies of occupation and circulation in urban space in order to ensure safety and existence. The spatialities of these women reveal alternative ways of relating to the structures that organize the city, producing fissures even within imposed constraints. In this context, the public university emerges as a potential space for support, debate, and transformation.

Las investigaciones geográficas, en general, priorizan análisis macroeconómicos y estructuras espaciales amplias, lo que con frecuencia resulta en la marginalización de determinados grupos sociales, temas y metodologías. En este texto buscamos tensionar esas geometrías de poder que sostienen hegemonías dentro de la producción científica, al dirigir la mirada hacia las experiencias de mujeres trans y sus prácticas espaciales cotidianas. Nuestro objetivo es evidenciar las espacialidades construidas por estas mujeres en medio de las estructuras de opresión sostenidas por el orden machista y heteronormativo. Utilizamos entrevistas con guion semiestructurado para producir datos cualitativos sobre sus vivencias, complementados con datos secundarios; para este texto utilizamos dos entrevistas. El guion incluyó preguntas que recorren la línea del tiempo de las entrevistadas, desde la infancia hasta la vida adulta, articulando espacio y tiempo. Estos cuerpos, al desafiar las normas heteronormativas —y, en muchos casos, por ser también cuerpos negros— enfrentan el racismo articulado con la transfobia y el prejuicio de género y sexualidad. Esto exige estrategias específicas de ocupación y circulación en el espacio urbano para garantizar seguridad y existencia. Las espacialidades de estas mujeres revelan formas alternativas de relacionarse con las estructuras que organizan la ciudad, produciendo fisuras incluso en medio de las limitaciones impuestas. En este contexto, la universidad pública emerge como un espacio potencial de acogida, debate y transformación.

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Cómo citar

Mujeres trans y las tensiones a la orden heteronormativa: no quiero que nadie cuente mi historia. (2026). Cuadernos De Geografía: Revista Colombiana De Geografía, 35(2), 365-378. https://doi.org/10.15446/rcdg.v35n2.120127