Os movimentos socioterritoriais e a luta contra a fome durante a pandemia do novo coronavírus no Brasil
Socio-Territorial Movements and the Combat Hunger During the New Coronavirus Pandemic in Brazil
Movimientos socioterritoriales y lucha contra el hambre durante la pandemia por el nuevo coronavirus en Brasil
DOI:
https://doi.org/10.15446/rcdg.v32n2.95846Palabras clave:
Brasil, coronavírus, doação de alimentos, espaço, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, movimentos socioespaciais, movimentos socioterritoriais, território (pt)Brazil, coronavirus, food donation, space, Landless Rural Workers Movement, socio-spatial movements, socio-territorial movements, territory (en)
Brasil, coronavirus, donación de alimentos, espacio, Movimiento de los Trabajadores Rurales sin Tierra, movimientos socioespaciales, movimientos socioterritoriales, territorio (es)
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No Brasil, a classe trabalhadora vem perdendo direitos e sofrendo com a descontinuidade de políticas públicas. As ações do governo atual têm refletido no aumento da extrema pobreza e, consequentemente, no retorno do país ao mapa da fome. A pandemia do novo coronavírus agravou essa conjuntura. É nesse contexto que as doações de alimentos realizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e outros movimentos socioespaciais e socioterritoriais se configuram em importantes ações de solidariedade voltadas ao combate à fome. Este trabalho objetiva analisar criticamente e dimensionar as doações de alimentos do MST. Para isso, foram realizadas pesquisa bibliográfica e entrevista semiestruturada. Também foram levantadas e sistematizadass notícias divulgadas pelo MST, referentes às doações realizadas no período de março de 2020 a março de 2021. A pesquisa aponta que as doações de alimentos são uma forma de luta e de denúncia da ausência do poder público e expressam solidariedade. Essas ações reafirmam a necessidade da reforma agrária.
In Brazil, the working class has been losing rights and suffering with the discontinuation of public policies. The current government’s actions have been reflected in the increase of extreme poverty and, consequently, in the country’s return to the hunger map. The new coronavirus pandemic has aggravated this circumstance. It is in this context that the food donations made by the Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) [Landless Rural Workers Movement] and other socio-spatial and socio-territorial movements constitute important solidarity actions aimed at combating hunger. This work seeks to critically analyze and dimension the MST’s food donations. To do so, we executed bibliographic research and semi-structured interviews. It also sought and systematized news articles published by the MST, referring to donations made from March 2020 to March 2021. The survey indicates that food donations are a form of resistance and denouncement of the public power’s absence and expressing solidarity. These actions reaffirm the need for a land reform.
En Brasil, la clase trabajadora ha estado perdiendo derechos y sufriendo con la discontinuidad de las políticas públicas. Las acciones del gobierno de Jair Bolsonaro se reflejaron en el aumento de la extrema pobreza y, consecuentemente, en el retorno del país al mapa del hambre. La pandemia del virus Sars-Cov-2 empeoró esa coyuntura. En ese contexto, las donaciones de alimentos realizadas por el Movimiento de los Trabajadores Rurales sin Tierra (MST) y otros movimientos socioespaciales y socioterritoriales constituyeron importantes acciones de solidaridad dirigidas al combate del hambre. Este trabajo tiene el objetivo de analizar críticamente y dimensionar las donaciones de alimentos del MST. Para eso, se realizó una investigación bibliográfica y entrevistas semiestructuradas. Además, se recogieron y sistematizaron las noticias divulgadas por el movimiento, referentes a las donaciones realizadas entre marzo de 2020 y marzo de 2021. La investigación indica que las donaciones de alimentos son una forma de lucha y de denuncia frente la ausencia del poder público y expresan solidaridad. Esas acciones reafirman la necesidad de reforma agraria.
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